domingo, 22 de julho de 2012

Relatório de Estagio Supervisionado "Creche Frei Daniel"


UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
Profª. ADELICE SUELI BRAGA DELGADO
TURMA 310



RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM
LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA
PRÁTICA DE ENSINO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
(ESCOLA CRECHE FREI DANIEL)




1. INTRODUÇÃO
O presente estágio no Ensino de Educação Infantil tem como objetivo, conhecer na prática as particularidades da Escola Creche Frei Daniel com crianças na faixa etária de 2 a 5 anos de idade, cursando essa modalidade de ensino.
Realizamos o estágio com observação detalhada das relações entre educadores, educados, gestores e demais funcionários envolvidos no processo de ensino-aprendizagem das doze turmas do Ensino Infantil da Creche Frei Daniel - ECFD.
Queremos observar que o Ensino de Educação Infantil, atualmente, adquiriu nova dimensão, ou seja, com a democratização do ensino e os objetivos de uma escola para todos, através da implantação da obrigatoriedade do Ensino Infantil, as famílias, como núcleo central de uma sociedade, tornaram se consciente da seriedade de uma habilitação social, assim como de uma emancipação intelectual condizente com a nova realidade em que vivemos e como resultado, passaram a se apoderar cada vez mais da importância da escolarização e socialização para se alcançar esse objetivo final. Portanto, o que se percebe é o fato de que se as crianças, chegando à escola se alfabetizando em um contexto das novas tecnologias e apropriando-se do conhecimento globalizado, tendem a serem mais bem sucedidas em sua jornada futura em busca de seu lugar na sociedade. Mas, somente com a contribuição de programas de apoio às comunidades com maior grau de vulnerabilidade social, almejam serem mais bem acertados nessa árdua tarefa.
 A cada oscilação social percebemos que para educar, precisamos de uma rede de suportes que vá além dos esforços para alfabetização e letramento. Observamos que na Educação Infantil (principalmente na primeira infância) é a porta desse processo, e deste modo, esse ato deve ser um compromisso de todos os envolvidos, pois segundo cremos, não deve ser responsabilidade somente da escola, mas, também compartilhada com a família em uma cumplicidade singular por um ensino/aprendizagem qualitativo e emancipador.
Assim sendo, acreditamos na socialização das responsabilidades que pode fazer a diferença no processo de desenvolvimento escolar da criança, que tem como embasamento a Educação Infantil mais fundamental. O Ensino de Educação Infantil como a primeira fase da formação da criança após o fundamento da formação familiar, marca a interação da criança aprendiz com novas descobertas para a vida, isso requer que sejam atendidas em ambiente apropriadas e profissionais bem preparadas (os). Um desafio que trataremos com detalhes sobre uma escola da periferia da Cidade de Belém, a qual funciona através de um convênio entre a Prefeitura e uma Associação Comunitária de um bairro desprovido das mínimas condições de sociabilidade proba para a pessoa humana. 

2. PROCEDIMENTOS E MÉTODOLOGIA
                A partir da observação sistemática do trabalho da gestão, dos educadores e dos demais funcionários da Escola Creche Frei Daniel, assim como, o espaço físico estrutural e da metodologia pedagógica, foi possível chegarmos ao objetivo proposto do estágio.
Os procedimentos metodológicos aqui adotados são de pesquisa de campo com coleta de dados em uma ação descritiva e interpretativa. A forma de pesquisa objetivou o levantamento de dados e considerou a observação em detalhes que foram desde o comportamento dos educandos no antro da instituição até a interação dos mesmos no processo de ensino-aprendizagem em sala de aula e atividades extraclasse.
               Primeiramente, podemos afirmar que a referida pesquisa para a elaboração do estágio no Ensino Infantil, facilitou o entendimento da complexidade da relação comunidade/escola. Levamos em consideração as dificuldades existentes na região que abriga a comunidade escolar com suas particularidades e o sentimento de pertencimento adotado em relação ao espaço aprendente que não se limita ao uso pelas crianças, mas, tem na participação comunitária o ponto de apoio para as melhorias necessárias a uma sobrevivência problemática (recursos financeiro e estrutural) do único espaço de Educação infantil, da comunidade local.
A metodologia adotada para o nosso trabalho etnográfico, permitiu a compreensão de que existe uma realidade dura para educados e educadores que vivem ou convivem nessa comunidade (cito a zona periférica denominada de Riacho Doce – bairro do Guamá) com um estado de carências sociais e desigualdades geográficas relativas aos grandes centros ou metrópoles brasileiras. Entretanto, é o compromisso de cidadania que faz de um conjunto de dificuldades um elemento de motivação para as superações diárias na difícil tarefa de educar ou ser educado numa relação de exclusão, mesmo estando do lado de dentro dos muros da escola.

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
            Queremos salientar aqui, e porque temos observados com muita frequência, que um dos fatores que podem facilitar ou dificultar o processo de ensino-aprendizagem em uma entidade, seja ela educacional ou não, está ligado às políticas de participação da sociedade local na vida da mesma, considerando como verdade máxima, o fato de que, o desenvolvimento de um povo passa necessariamente pela atenção dispensada à educação. Por isso, é preciso valorizar todo e qualquer empenho dos núcleos periféricos de habitação, que não obstante as várias limitações se dedicam em fazer do espaço aprendente uma referência de pertencimento social.
              A nossa fundamentação teórica na elaboração desse estágio, deu-se com base em autores que tratam da questão educacional na visão da Pedagogia da Autonomia do indivíduo, tendo também como base teórica as discussões e explanações em sala de aula ministradas por professores de várias disciplinas de nosso campus universitário, na compreensão e adoção de uma linha de debates as políticas públicas, jurídicas e de participação social para a construção coletiva dos objetivos do processo formador da Educação Infantil como Direito de todos e responsabilidade do Poder Público. 
Paulo Freire (1986) ensinou que: “A leitura do mundo precede a leitura das palavras”. Entretanto a afirmação do grande Educador da Pedagogia da Autonomia, só será possível realmente se a profissão de educar/ensinar estiver atualizado com procedimentos de éticas abertas à ação e a reflexão sobre o que realizamos no nosso cotidiano, para assim, atender as novas exigências demandadas pela sociedade que busca ser inclusiva, em nome de um mundo para todos, o que exige uma escola para todos. Para tanto é preciso ter formação adequada para os educadores em uma visão horizontal capaz de responder à comunidade educacional, começando pela Educação Infantil.
Adelice Sueli Braga (2010), professora de pedagogia da UFPA em sua explanação na disciplina de Fundamentos da Didática, certa vez articulou:
“Há um descuido e um descaso pelo destino da educação, sobretudo dos milhões e milhões de excluídos do processo de uma propriedade na cultura que se elabora e que se introduz ao educando de classes sociais menos privilegiadas, tidos como inaceitáveis e despojados. Na qualificação dos professores dessa área (Educação Infantil e Fundamental) e que se detecta os maiores problemas. Sendo que esses nem sequer ingressam no esquadrão de ressalva do essencial. Submergiram ao direito de serem tidos como profissionais de extrema importância e que são na maioria abusados por estafantes cargas horárias em nome de uma complementação salarial para poderem sobreviver, sendo que na maioria das vezes (como é o caso dos professores de escolas públicas) não tem sequer um tempo mínimo para o aperfeiçoamento profissional”. Aqui, Adelice Braga já aponta a falta de políticas públicas, a ausência das garantias de Direitos Fundamentais e a falta de formação acadêmica de professores na área vital que é a Educação Infantil, como um dos principais obstáculos na produção de uma educação de qualidade. Fato que é facilmente detectado no cotidiano da Escola Creche Frei Daniel.
A Constituição Federal do Brasil e a Lei de Diretrizes e Bases especificamente recomenda entre outras garantias fundamentais, educação para todos, porém, ao realizar o estágio de Educação Infantil em uma comunidade muito carente, pobre de tudo, fica-nos a certeza de que ainda temos muito por fazer para garantir o princípio dessa igualdade.        
  
4. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA
NOME: Escola Creche Frei Daniel - ECFD
ENDEREÇO: Passagem 1º de Agosto, 28 – Guamá CEP: 66073-315 Cidade: Belém/PA. Fone: (91) 3249-9623

4.1. MODALIDADES DE ATENDIMENTOS E SUPRIMENTOS DE RECURSOS DA ENTIDADE
               A instituição funciona como Creche (atendimento de 02 a 03 anos) e Escola em Educação Infantil (crianças entre 04 e 05 anos), em parceria com a Associação Sociocultural Santa Parceria – ASCSP (sob a administração do Sr. Carlos Nonato, considerado um dos maiores provedores (padrinhos) da Creche), SEMEC, SEMAC (sendo essas duas na administração atual, quase apenas figurantes na manutenção de recursos para a entidade) e um fundo social de solidariedade emanada da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, administrada pelo Frei Apolônio (um dos fundadores da Instituição), donde provém o pagamento dos funcionários da Creche e da arrecadação de um auxílio de donativos da comunidade local através da contribuição mensal de alguns pais de alunos.
                 Para estimular a participação coletiva da comunidade na vida da entidade, a Creche usa de todos os meios que dispõe (realizando reuniões, confraternizações, etc.), na maioria das vezes com poucos resultados positivos, pois geralmente os problemas começam na falta de “estrutura” familiar, carência social e cultural, desemprego e uma falta de conscientização dos serviços e ações prestados pela entidade junto à comunidade. A maior parte dos alunos vive em um meio violento, ou mesmo na falta de perspectiva para o futuro, pois o bairro não possui saneamento básico, áreas de lazer, pontos de culturas e outros facilitadores da inserção social, ao lado da educação.

5. PLANO DE GESTÃO DE EDUCAÇÃO DEFENDIDO PELA ENTIDADE E COMUNIDADE ESCOLAR
A Escola Creche Frei Daniel, tem no núcleo de Educação Infantil o principal foco da existência dos projetos administrados pela entidade. O perfil político pedagógico da Creche Frei Daniel, apresenta-a como uma instituição educacional identificada com o comprometimento da construção de uma sociedade com menos desigualdade social.
A entidade esparge o espaço como lugar de práticas pedagógicas infantis, comuns a toda a comunidade carente do bairro na formação de infantes em idade pré-escolar e voltada a um ambiente de formação cidadã. 
A escola/creche possui atualmente no Ensino Educação Infantil, cerca de 240 alunos com idades entre 02-05 anos, matriculados em dois turnos (matinal e vespertino) e em regime de atendimento de período integral (nesse caso as crianças entre 2-3 anos).
Segundo a metodologia de ensino adotada pela creche, situa-se a questão do não compromisso de um pré-letramento, ou seja, não se acha necessário a construção de uma identidade alfabetizada nessa faixa de idade. Motivos pelos quais foram abolidos os diversos formatos de uma pré-alfabetização entre os educadores da entidade. Resumindo, a Creche Frei Daniel, difunde as atividades exercidas por ela apenas como uma prática de vida social, valores educacionais (comportamental e ético) de todos e com todos, na perspectiva de formar futuros cidadãos e cidadãs que integrem e contribuam com a sua comunidade, sem uma obrigação escolar mais profundo.
Observamos também, que a entidade não exige dos orientadores educacionais vigentes, uma perspectiva ou formação de base acadêmica, ou até mesmo, bastando na maioria das vezes uma simples experiência no trato com a educação infantil. Daí a nossa observação na falta de habilidades dos professores e de uso de uma metodologia no dia-a-dia com os infantes. A entidade também não tem por hábito cobrar de seus educadores um planejamento de ação letiva durante a sua ministração de atividades periódicas.

5.1. ESTRUTURA FÍSICA E DE RECURSOS HUMANOS DA ESCOLA
O espaço físico da escola/creche é muito bem estruturado, o prédio possui dois pavimentos - sendo que o 1º pavimento é o local onde se localiza a parte funcional educacional - é uma sequência de conchegados, ás salas (espaços de preleção), em um total de 13, dentre as quais somente doze são acondicionadas ao uso educacional. As salas são espaçosas, equipadas cada uma com um armário de aço de duas portas, um equipamento de DVD, uma televisão de 21’ e um ventilador de teto. Duas dentre essas salas são exclusivas para os alunos de 4-5 anos (esses alunos permanecem somente um período de tempo, matutino ou vespertino), portanto, ao invés de colchonetes (para uso dos alunos menores que permanecem em tempo integral) se faz presente carteiras e cadeiras em péssimo estado de conservação. O material pedagógico é insuficiente para atender as necessidades da escola, a alimentação é complementada por uma doação comunitária.
Tem na estrutura de recursos humanos, 01 Presidente da Entidade (é responsável pela gestão e tem formação em Pedagogia), 01 Coordenadora pedagógica, 01 auxiliar de enfermagem, 12 Professoras, 01 Funcionária administrativo, 05 Auxiliares de manutenção e limpeza (cozinheiras e serviços gerais).
O espaço de funcionamento da escola conta na parte do térreo com treze salas educacionais, um infocentro para atender à comunidade, uma capela, uma mini-copa, uma cozinha, um salão de refeições equipado com mesas adaptadas para uso infantil, uma sala de refeição para uso dos funcionários, dois pátios pequenos para entrada e saída, um parquinho com brinquedos de uso infantil, uma pequena lavanderia somente com tanques acoplados, dois balneários em abertos para uso das crianças em seus banhos matinais (sendo que um ainda está em construção). Acoplados aos balneários estão os sanitários de uso infantil e adulto (sendo que os reservados as crianças são totalmente abertos) e dois bebedouros ao final de cada corredor.  No andar superior temos uma sala de reunião, uma enfermaria, uma sala administrativa, sala da diretoria e um pequeno salão para reuniões de pais e professores. A Creche conta, de vez em quando, em sua estrutura com um voluntariado que se dividem em várias atividades e benfeitorias na comunidade.

6. PARECER SOBRE AS ATIVIDADES DO ESTÁGIO
A Escola Creche Frei Daniel esta inserida em uma comunidade abaixo da linha da pobreza com sentimentos de solidariedade e pertencimento da coisa pública em relação à entidade, local que funciona a única Escola Creche em Educação Infantil do “bairro” fundada que foi em uma antiga invasão de área pública (desde 1997, perfazendo um total de 15 anos de existência).
As crianças atendidas na escola são bastante carentes, principalmente, da atenção do poder público, que em uma débil parceria com o mesmo, mas tentado criar um vínculo fervoroso com a comunidade local, vai adequando situações de melhoramentos, mas ainda insuficiente para atender as demandas do alto grau de vulnerabilidade social que vive os habitantes da comunidade Riacho Doce.
Quanto ao público infantil atendido, em matéria de comportamento, percebemos que em sala de aula pouco difere das nossas experiências em sala de aula em outras comunidades com mais estrutura social e recursos. Sendo que os problemas de carência sociais da Frei Daniel, se assemelham a todas as escolas de manutenção públicas ou comunitárias, sejam por intermédio de convênios ou administração direta.
As educadoras e orientadoras pedagógicas reclamaram em muito do desamparo por parte das autoridades governamentais, a falta de políticas públicas para o setor (nesse caso, a educação infantil), assim como enalteceram a iniciativa privada que sempre ajuda de alguma forma a entidade, o que reflete no processo de qualidade estrutural e na escolarização infantil da Frei Daniel, segundo elas.
O estágio foi feito em sala de aula e também em outros espaços, como acompanhamento das atividades em um local que chamam de pátio, porém na verdade é um corredor de 5m X 11m, junto a um parquinho (com apenas quatro brinquedos) no qual ás professoras revezam os horários de saídas das salas para minimizar as dificuldades de atuarem fora das salas de aulas.
Pudemos desenvolver nossas atividades de estágio em quatro salas. Sendo, três com crianças de 2-3 anos e a restante com as de faixas etárias de 4-5 anos, sendo que os perfis das professoras divergem no trato com as crianças, mas entendemos que cada educador tem suas particularidades para o desempenho das funções como docente.
Contudo, como nem tudo é de caráter prático, lamentamos um fato que ficou bem evidenciado para nós, e a questão envolvendo o voluntariado, pela ocorrência de que o mesmo ainda não é bem aceito pela maioria dos educadores e funcionários da Instituição, principalmente os voluntários do sexo masculino, que não são bem vistos pelo fato de serem homens e de terem que lidar com crianças, ocorrendo logo aos mesmos (funcionários) à ideia de pedofilia por associação. Nessa questão procuramos entender tal modo pela complexidade social das relações de gênero na atualidade, fato de que o professor Evanildo Estumano em “Familia, Profissão e afeto: apontamentos para estudo de gênero”, procura de certa forma esclarecer tal atitude:
    As relações de gênero na sociedade contemporânea se encontram num movimento pendular, pois, ao mesmo tempo em que avançam por forças dos novos arranjos familiares e ocupações de trabalho, procuram sempre que possível acomodar-se às estruturas tradicionais. Este fenômeno pode levar a imprecisões quando se desenvolvem certas análises que não atentam para o fato de que os postulados que constroem as identidades de gênero não o fazem por simples classificação de categorias, mas estão implicados em relação de poder que definem os lugares do masculino e do feminino, apresentando-os, sutilmente ou não, como lugares naturalmente dados (ESTUMANO, 2010, P. 12).
Mas, pela posição que nós incidimos como mentores e educadores, cremos que esta alusão e leviana, além de indevida é intolerável. E que tal atitude advinda de um docente e indesculpável, configuram danos que deve ser objeto de desagravo e repúdio, pois tais juízos de valores representam humilhação à pessoa e ofende a moral de qualquer cidadão de bem. Assim sendo, achamos que não é dessa forma preconceituosa que se pode contribuir no processo da luta contra a desigualdade social utilizando de superstição, o que ficou acentuado em nossa visão empírica, que a vida nos concedeu vivenciar em uma comunidade carente, violenta e violentada nos seus direitos de cidadania.      
    
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos afirmar pelo que acompanhamos que nem a Educação Infantil está livre da violência e do descaso das brechas do sistema educacional do nosso País. A garantia dos direitos Fundamentais é algo que as crianças da comunidade escolar em discussão, assim como a maioria de pais ainda não conhecem. 
A reflexão que fica sem dúvidas contribuiu para as nossas ainda incompletas formações como educadores, professores, pedagogos e cidadãos. É a certeza do quanto nosso país deve para as comunidades que estão na parte de baixo da escala social.
Pensamos que a desigualdade quando apenas ouvimos falar não incomoda tanto, mas contemplar o desespero de voluntários, educadores e gestores na busca de recursos para desenvolver um mínimo aceitável para a formação de crianças e inseri-las no sistema educacional, torna-se desafiador para quem tem esperança de um mundo melhor.
Por isso, este estágio foi o que mais exigiu de nós e o mais desafiador que realizamos até agora, por ser uma escola dentro de uma entidade, com várias atividades acontecendo ao mesmo tempo, a necessidade imprimida no rosto de cada criança com idades que variam de 02 a 05 anos, sem muitas diferenças entre si, a tarefa de ensinar fica muito mais complexa, exigindo do educador um esforço extraordinário para conseguir acreditar que o futuro existe para aqueles que no presente quase nada possuem.
              Registramos aqui o esforço e o compromisso da administradora da entidade e diretora da escola, a Professora Irenilda Santos, um modelo de persistência naquilo que faz, mesmo quando todas as probabilidades de sucesso são contrárias, da coordenadora pedagógica, Professora Conceição outro exemplo de dedicação à educação infantil, ao Sr. Carlos Nonato pelo incansável esforço a manutenção financeira e aos demais funcionários da entidade pela benignidade e diligência em prol de uma educação qualitativa.

8. REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1986.
NORMAS PARA ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO DE ESTÁGIO – Orientação dirigida aos alunos de Licenciaturas – EAD, 2010. (Org): Profa. Dra. Maria Aparecida Campos Diniz de Castro. ; Prof. Dr. Orlando de Paula.
ESTUMANO, Evanildo Moraes. Família, Profissão e Afeto: Apontamentos para Estudos de Gênero. Belém, 2010.


TÉCNICAS DE REDAÇÃO
 W Q Moraes


A redação divide-se em tema, título, introdução, desenvolvimento e conclusão.
       A redação pode estar na primeira ou terceira pessoa, ou mista, tal como no caso da literatura russa, vista em algumas obras de Dostoiévski.
     O tema é o foco do trabalho, o assunto que será desenvolvido.
    O título deve ser condizente com o tema. Ex: Se o tema for ecologia, o título deve ser a respeito dele, tipo “A fauna brasileira”.
   A introdução deve, na forma clássica, versar sobre três itens que serão desdobrados nos três parágrafos seguintes, no caso; um item por parágrafo. Ex: A fauna brasileira possui uma intrínseca relação com o meio ambiente. É nesse meio entre o homem e a fauna que se estabelece a relação homem-natureza.
     No caso, fauna brasileira, meio-ambiente e homem-natureza serão as três primeiras palavras-chave, uma para cada parágrafo.
     O desenvolvimento consiste em três parágrafos após a introdução, um parágrafo por palavra-chave, na ordem em que surgiu.
     A média de linhas para cada parágrafo da redação fica em torno de 06, sendo 04 linhas o mínimo. Procure nunca ultrapassar 08 linhas por parágrafo.
   A conclusão é a síntese, resumo sintético da introdução e do desenvolvimento. Na conclusão é obrigatório um início técnico, como por exemplo: “De acordo com o acima exposto, concluo que...”, “dado o desenvolvimento posto, chego à conclusão de que...”, “Sendo assim, concluímos que...”, etc...
  Após o início da conclusão, coloca-se o resumo das palavras-chave, na ordem em que foram desenvolvidas, é um resumo do desenvolvimento.
    Abaixo, um esquema da redação.

ESQUEMA DA REDAÇÃÕ (PASSO A PASSO).

1-Tema.
2-Título.
3-Introdução.
3.1-Palavras-chave da introdução.
4-Desenvolvimento (Três parágrafos ).
4.1-Primeira palavra-chave.
4.2-Segunda palavra-chave.
4.3-Terceira palavra-chave.
5-Conclusão (E assim concluímos que...+ síntese das palavras-chave e término (uma reflexão ou consideração final).

Exercício: Elabore uma redação sobre qualquer tema de acordo com o esquema acima, uma redação por dia por 10 dias. Após, compare a décima redação com a primeira, aponte algumas diferenças que você percebeu na estrutura das duas e faça a décima primeira redação sobre esse tema.

TÉCNICAS DE REDAÇÃO

 I- NARRAÇÃO

   Narrar é contar um fato, um episódio; todo discurso em que algo é CONTADO possui os seguintes elementos, que fatalmente surgem conforme um fato vai sendo narrado:
                                     onde ? 
                                        |
         quando?  ---      FATO    --- com quem?
                                        |
                                    como?
    A representação acima quer dizer que, todas as vezes que uma história é contada (é NARRADA), o narrador acaba sempre contando onde, quando, como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração predomina a AÇÃO: o texto narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, maioria dos VERBOS que compõem esse tipo de texto são os VERBOS DE AÇÃO. O conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é contada nesse tipo de texto e que recebe o nome de ENREDO. 

   As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas PERSONAGENS, que são justamente as pessoas envolvidas no episódio que está sendo contado ("com quem?" do quadro acima). As personagens são identificadas (=nomeadas) no texto narrativo pelos SUBSTANTIVOS PRÓPRIOS.
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem querer) ele acaba contando "onde" (=em que lugar) as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre uma ação ou ações é chamado de ESPAÇO, representado no texto pelos ADVÉRBIOS DE LUGAR.
Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer "quando" ocorreram as ações da história. Esse elemento da narrativa é o TEMPO, representado no texto narrativo através dos tempos verbais, mas principalmente pelos ADVÉRBIOS DE TEMPO. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele que indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu. A história contada, por isso, passa por uma INTRODUÇÃO (parte inicial da história, também chamada de prólogo), pelo DESENVOLVIMENTO do enredo (é a história propriamente dita, o meio, o "miolo" da narrativa, também chamada de trama) e termina com a CONCLUSÃO da história (é o final ou epílogo). Aquele que conta a história é o NARRADOR, que pode ser PESSOAL (narra em 1a pessoa: EU...) ou IMPESSOAL (narra em 3a. pessoa: ELE...). Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história contada. 

II - DESCRIÇÃO
   Descrever é CARACTERIZAR alguém, alguma coisa ou algum lugar através de características que particularizem o caracterizado em relação aos outros seres da sua espécie. Descrever, portanto, é também particularizar um ser. É "fotografar" com palavras. No texto descritivo, por isso, os tipos de verbos mais adequados (mais comuns) são os VERBOS DE LIGAÇÃO (SER, ESTAR, PERMANECER, FICAR, CONTINUAR, TER, PARECER, etc.), pois esses tipos de verbos ligam as características - representadas linguisticamente pelos ADJETIVOS - aos seres caracterizados - representados pelos SUBSTANTIVOS. Ex. O pássaro é azul. 1-Caractarizado: pássaro / 2-Caracterizador ou característica: azul / O verbo que liga 1 com 2 : é
Num texto descritivo podem ocorrer tanto caracterizações objetivas (físicas, concretas), quanto subjetivas (aquelas que dependem do ponto de vista de quem descreve e que se referem às características não-físicas do caracterizado). Ex.: Paulo está pálido (caracterização objetiva), mas lindo! (caracterização subjetiva). 
  
III- DISSERTAÇÃO
   Além da narração e da descrição há um terceiro tipo de redação ou de discurso: a DISSERTAÇÃO.
Dissertar é refletir, debater, discutir, questionar a respeito de um determinado tema, expressando o ponto de vista de quem escreve em relação a esse tema. Dissertar, assim, é emitir opiniões de maneira convincente, ou seja, de maneira que elas sejam compreendidas e aceitas pelo leitor; e isso só acontece quando tais opiniões estão bem fundamentadas, comprovadas, explicadas, exemplificadas, em suma: bem ARGUMENTADAS (argumentar= convencer, influenciar, persuadir). A argumentação é o elemento mais importante de uma dissertação. 

   Embora dissertar seja emitir opiniões, o ideal é que o seu autor coloque no texto seus pontos de vista como se não fossem dele e sim, de outra pessoa (de prestígio, famosa, especialista no assunto, alguém...), ou seja, de maneira IMPESSOAL, OBJETIVA e sem prolixidade ("encher lingüiça"): que a dissertação seja elaborada com VERBOS E PRONOMES EM TERCEIRA PESSOA. O texto impessoal soa como verdade e, como já citado, fazer crer é um dos objetivos de quem disserta. 

   Na dissertação, as idéias devem ser colocadas de maneira CLARA E COERENTE e organizadas de maneira LÓGICA:
a) o elo (de ligação) entre pontos de vista e argumento se faz de maneira coerente e lógica através das CONJUNÇÕES (=conectivos) - coordenativas ou subordinativas, dependendo da idéia que se queira introduzir e defender; é por isso que as conjunções são chamadas de MARCADORES ARGUMENTATIVOS.
b) todo texto dissertativo é composto por três partes coesas e coerentes: INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO e CONCLUSÃO.
A introdução é a parte em que se dá a apresentação do tema, através de um CONCEITO (e conceituar é GENERALIZAR, ou seja, é dizer o que um referente tem em comum em relação aos outros seres da sua espécie) ou através de QUESTIONAMENTO(s) que ele sugere que deve ser seguido de um PONTO DE VISTA e de seu ARGUMENTO PRINCIPAL. Para que a introdução fique perfeita, é interessante seguir esses passos:
  1. Transforme o tema numa pergunta;
  2. Responda a pergunta (e obtém-se o PONTO DE VISTA);
  3. Coloque o porquê da resposta (e obtém-se o ARGUMENTO).
O desenvolvimento contém as idéias que reforçam o argumento principal, ou seja, os ARGUMENTOS AUXILIARES e os FATOS-EXEMPLOS (verdadeiros e reconhecidos publicamente).
A conclusão é a parte final da redação dissertativa, onde o seu autor deve "amarrar" resumidamente (se possível, numa frase) todas as idéias do texto para que o PONTO DE VISTA inicial se mostre irrefutável, ou seja, seja imposto e aceito como verdadeiro.

   Antes de iniciar a dissertação, no entanto, é preciso que seu autor: 1. Entenda bem o tema; 2. Reflita a respeito dele; 3. Passe para o papel as idéias que o tema lhe sugere; 4. Faça a organização textual (o "esqueleto do texto"), pois a quantidade de idéias sugeridas pelo tema é igual à quantidade de parágrafos que a dissertação terá no DESENVOLVIMENTO do texto.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A lebre e a tartaruga adaptado por Waldeci Moraes




   Era uma vez em uma floresta, um cantinho de mata chamado de “Bosque Feliz”. Lá vivia uma lebre muito louca que vivia a se gabar de que era o mais esperto do pedaço, o mais rápido de todos os animais que por ali viviam.
   Todos os sábados os animais do bosque se reuniam pela manhã para uma peladinha no campinho da mata. A lebre que se encontrou com a bicharada após o jogo começou a se achar, dizia que era a tal e que ali no Bosque Feliz não tinha prá ninguém. A lenga-lenga da Lebre já tava de bom tamanho até que chegou a tartaruga e interrompeu o papo da lebre:
- Sabe o que eu acho mano, que tudo isso ai é balela!
   A lebre que estava acostumada a se gabar e ninguém a contrariava ficou na onda com a tartaruga que continuou:
– Eu tenho certeza de que, se apostarmos uma corrida, eu serei a vencedora – desafiou a tartaruga.
   A lebre caiu na gargalhada e com ela todos os animais presente. Já não aguentando de tanto rir a lebre respondeu a tartaruga:
– Tu tá me zuando mano? Que papo sinístro é esse Tarta. Uma corrida? Eu e você? Essa é boa!
– Por acaso o mano aí tá com medinho é? – indagou a tartaruga muito séria.
Se liga mano. É mais fácil um leão cacarejar do que eu perder uma corrida prá você – respondeu a lebre.


   Diante da situação, toda a bicharada começou a troçar da tartaruga, mas a mesma continuou irredutível na idéia de desafiar a lebre para uma corrida. A lebre que percebeu que a tartaruga não tava de brincadeira resolveu não tirar por menos e disse:
- Tá legal, vamos acertar essa parada prá amanhã logo após o Sol nascer, falou?
- Combinado! Respondeu a tartaruga para surpresa de todos.

   No dia seguinte, a bicharada compareceu em peso ao campo da disputa. A raposa foi então à escolhida para ser a juíza da prova. Ficou combinado de que aquele que primeiro desse a volta completa ao redor do bosque seria o vencedor da corrida. Bastou dar o sinal da largada para a lebre disparar na frente a toda velocidade. A tartaruga não se abalou e continuou na disputa com seus pacinhos diminutos. No decorrer do trajeto muitos dos animais estavam curiosos no que ia acontecer. 

   A lebre ainda tava meio que confusa com a ousadia e pretensão da tartaruga, mas já se considerava o vencedor da corrida, Ele, a lebre estava tão certa da vitória que resolveu parar no meio do caminho e fazer um lanchinho. Olhou para traz e nem sinal da tartaruga. Agora que ele havia comido resolveu tirar então uma soneca, mas antes pensou:
"Se aquele molenga passar na minha frente, é só correr um pouco que eu o ultrapasso" 

  Mas como a lebre havia comido muito, caiu em um sono pesado. A lebre dormiu tanto que não percebeu quando a tartaruga, em sua marcha vagarosa e invariável, passou.

  Quando a lebre acordou não se deu conta de que havia passado um bom tempo dormindo, e continuou a correr com ares de vencedor. Mas, ao se aproximar da linha de chegada, para sua surpresa os animais comemoravam com jubilo, a vitoria da tartaruga, que não descansara um só minuto e havia já há bastante tempo cruzado a linha de chegada em primeiro lugar.

   Desse dia em diante, a lebre parou de se gabar e tornou-se o alvo das chacotas da floresta. 

   Quando dizia que era o animal mais veloz, todos o lembravam de uma certa tartaruga...

   Moral: Quem segue devagar e com obstinação sempre chega à frente.